quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Espelho, por {gregório}



'"u não costumo beber demais, nem muito de bebidas destiladas eu gosto
Prefiro as fermentadas, vinho é a melhor de todas, que delicia.
No entanto, mesmo sem estar bêbado, fiquei  aturdido ao acordar naquele dia
E dar de cara com uma imagem duplicada, que aos poucos foi se delineando mais clara a minha frente.
Como estivesse eu diante de um espelho, duas figuras femininas exatamente idênticas se erguiam diante de mim
Altivas, poderosas, seguras, imponentes, duas verdadeiras estátuas de mármore ali estavam.
Lindamente vestidas com roupas de couro preto e vermelho, corseletes lindíssimos, saltos altíssimos, olhos brilhantes
As duas, que pensei eu ser apenas uma, me fitavam com ar zombeteiro, sarcástico, absoluto desdém me era dirigido.
Eu, Uma figura masculina triste, indefesa, patética, absolutamente dominada e entregue
Porém, nem de cordas e nem de algemas era feita a minha prisão, a minha submissão.
Uma força que não sabia de onde vinha me aprisionava, me forçava para o chão, me esmagava aos poucos.
As duas lindas carrascas refletidas nos espelhos de meus olhos apenas riam e gargalhavam do meu desespero, da minha aflição
brincando delicadamente com seus açoites, um na mão de cada uma delas, apenas aguardavam o momento certo para entrarem em ação.
E quando entraram, o inferno entrou em mim, apresentado por dois anjos perfeitos
Cordas, chicotes, açoites, velas, plugs, tormentos.
Gritos, sussurros, gemidos, medo, prazer.
Ao final do inferno não sabia daquilo o que tinha sido verdade, o que tinha sido mentira
O que tinha sido sonho, o que tinha sido realidade, só restou em mim a saudade."

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